O Aeroporto de Canela pode ganhar um novo papel na integração da Serra Gaúcha. Um projeto estimado em R$ 85 milhões prevê a ampliação da infraestrutura para receber aeronaves comerciais de maior porte e, assim, fortalecer a conectividade aérea e o desenvolvimento turístico e econômico da região.
Segundo as informações do projeto, a proposta inclui a extensão da pista dos atuais 1.260 metros para 1.600 metros, a construção de um novo terminal de passageiros e intervenções para ampliar a área de segurança operacional. A articulação dos recursos ocorre por meio da Associação dos Municípios de Turismo da Serra (AMSERRA), que busca incluir os valores no orçamento federal de 2027 por meio de uma emenda de bancada do Rio Grande do Sul em tramitação no Congresso Nacional.
Homologação e obras já realizadas no Aeroporto de Canela
O aeroporto aguarda a homologação final da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) para operar na categoria 2C, que contempla aeronaves com capacidade para até 72 passageiros, como o ATR-72. As intervenções previstas para essa etapa já foram executadas, incluindo o alargamento da pista de 18 para 30 metros e o reforço do pavimento asfáltico.
Também foram realizados voos da Força Aérea Brasileira (FAB) para a homologação dos Papis, sistemas de iluminação que auxiliam os pilotos durante o pouso, além das cabeceiras da pista. Agora, o processo aguarda a conclusão das etapas burocráticas para a homologação final.
José Ernesto Marino Neto, diretor executivo do Kempinski Laje de Pedra e coordenador da Comissão Tripartite do aeroporto, avalia que a conectividade aérea é estratégica para o futuro da região. “Precisamos olhar para o desenvolvimento da Serra Gaúcha de forma integrada. O aeroporto já tem sua importância no acesso à região, e a ampliação da infraestrutura poderá abrir novas possibilidades para o turismo, os negócios, os eventos e para a população da região. É um investimento com potencial de gerar benefícios para toda a cadeia econômica regional”, afirma.
Adélcio Guimarães, que atuou como superintendente de Engenharia da Infraero entre 2023 e 2025, destaca a diferença entre as obras já concluídas e a nova fase do projeto. “As intervenções realizadas na infraestrutura representam uma evolução para o aeroporto e permitem avançar no processo de homologação. Já a ampliação para 1.600 metros de pista, a construção do terminal e as demais adequações fazem parte de uma nova etapa, que exige obras específicas e mais recursos”, explica.
Infraestrutura aeroportuária e impacto econômico regional
Com a expansão, a expectativa é ampliar as possibilidades de operação de aeronaves como Airbus A319, Boeing 737 e Embraer 195, sempre dentro das exigências técnicas de pista, segurança e operação de cada modelo. A medida também pode aproximar o transporte aéreo dos principais destinos turísticos da Serra Gaúcha.
Para Gianfranco “Panda” Beting, publicitário e consultor aeronáutico internacional e cofundador da Azul Linhas Aéreas Brasileiras, em 2008, a infraestrutura aeroportuária vai além do transporte de passageiros. “A aviação é um vetor de desenvolvimento que vai muito além do transporte de passageiros. Ela conecta mercados, facilita negócios e gera efeitos em diferentes setores, do turismo ao comércio e aos serviços. Quando uma região melhora a sua infraestrutura aeroportuária, amplia sua capacidade de atrair visitantes, empresários e investidores. No caso da Serra Gaúcha, que já possui uma oferta turística consolidada, a conectividade pode contribuir para uma nova etapa de crescimento e forte expansão do destino”, avalia Beting.
O projeto também aponta reflexos potenciais em setores como hotelaria, gastronomia, comércio, transporte, eventos e construção civil. Segundo Guimarães, o investimento de R$ 85 milhões poderia contribuir para ampliar o Produto Interno Bruto (PIB) local em R$ 300 milhões por ano. “Por isso, tratando-se de uma região tão desenvolvida no turismo, é o dinheiro mais bem empregado do orçamento da União Federal”, afirma.
Beting ressalta ainda que a infraestrutura aeroportuária provoca efeitos imediatos em diferentes atividades econômicas. “Um investimento em um aeroporto como o de Canela impacta 52 setores da economia imediatamente. Recordo de Indaiatuba antes da Azul utilizar o Aeroporto de Viracopos; tinha uma padaria e olhe lá. Hoje tem shopping centers, cinemas, clínicas médicas e dentárias, escolas, condomínios maravilhosos e grande qualidade de vida”, afirma.
Marino Neto conclui que a experiência internacional reforça a importância da ampliação da infraestrutura para expandir a oferta de bens e serviços e estimular o crescimento. “É o que a China vem fazendo há várias décadas. Em pequena escala, é o que se deseja para a Serra Gaúcha”, diz.