Porto Alegre registra redução de 8% nas mortes no trânsito em 2026

A Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) divulgou o balanço parcial dos acidentes de trânsito com resultado de morte registrados em Porto Alegre entre janeiro e outubro de 2026. Nos dez primeiros meses do ano, ocorreram 66 acidentes fatais nas vias urbanas, resultando em 68 mortes. Esses dados fazem parte do monitoramento permanente do Programa Vida no Trânsito (PVT), que analisa as ocorrências fatais para identificar fatores de risco e orientar ações de fiscalização, engenharia e educação no trânsito.

Redução das mortes no trânsito em Porto Alegre entre janeiro e outubro

No mesmo período de 2025, foram registrados 73 sinistros fatais, com 74 mortes. Isso representa uma queda de quase 10% no número de acidentes fatais e uma redução de 8% nas mortes em 2026. A diminuição se concentrou no segundo semestre: entre julho e outubro, ocorreram 23 mortes, contra 29 no mesmo intervalo do ano anterior, uma redução de 21%.

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  • O ano começou com um cenário preocupante, registrando 20 mortes no primeiro bimestre, o maior número para o período em mais de 10 anos. Ao final do primeiro semestre, o total de vítimas chegou a 45, igualando os números de 2024 e 2025.

    Entre as medidas que contribuíram para essa mudança está a implantação dos detectores de avanço de sinal (DAS) nos 15 cruzamentos com maior registro de sinistros graves em Porto Alegre. Esses locais foram amplamente divulgados à população. O objetivo é combater uma das condutas que mais provocam mortes na capital: o desrespeito ao sinal vermelho ou à parada obrigatória, que aparece como o segundo principal fator de risco nos sinistros fatais de 2026. Em 2025, esse fator foi o principal identificado nas mortes no trânsito.

    Os locais para instalação dos equipamentos foram escolhidos com base em dados técnicos de sinistralidade. Além de fiscalizar, os detectores educam, incentivando os condutores a reduzir a velocidade e respeitar o semáforo nos pontos mais críticos da cidade.

    “Iniciamos 2026 com um cenário grave e respondemos com ações integradas e baseadas em evidências. A instalação dos detectores de avanço de sinal nos cruzamentos mais perigosos da cidade, junto com a ampla divulgação desses locais, reforça uma mensagem clara: respeitar o sinal é respeitar a vida. A redução das mortes nos últimos meses mostra que estamos no caminho certo”, destacou o diretor-presidente da EPTC, Pedro Bisch Neto.

    Motociclistas e pedestres continuam entre os grupos mais vulneráveis

    Os motociclistas seguem sendo o grupo mais vulnerável entre os condutores. Das 68 vítimas fatais, 35 eram condutores, e destes, 27 eram motociclistas, o que equivale a 77% dos condutores mortos. Somando os atropelamentos de pedestres e a morte de um ocupante (carona), as motocicletas estiveram envolvidas em 38 das 68 mortes registradas, ou 56% dos óbitos.

    Comparando com o mesmo período de 2025, o número de motociclistas mortos caiu de 30 para 27, uma redução de 10%. Por outro lado, aumentaram os atropelamentos fatais causados por motocicletas: foram dez pedestres mortos em 2026, contra seis em 2025. Assim, o total de mortes envolvendo motocicletas permaneceu praticamente igual (38 em 2026 e 37 em 2025), mas a participação desse veículo no total de óbitos subiu de 50% para 56%.

    A falta de habilitação continua ligada às motos. Em 2026, 13 sinistros fatais tiveram ao menos um condutor sem Carteira Nacional de Habilitação (CNH) ou com CNH irregular, e 12 desses casos (92%) envolveram motocicletas. No mesmo período de 2025, foram 16 casos, sendo 13 (81%) com motocicletas.

    Os pedestres também representam parcela significativa das vítimas fatais, com 27 mortes, correspondendo a 40% do total. Entre esses casos, dez pedestres foram atropelados por motocicletas, oito por ônibus urbanos e sete por automóveis. Houve ainda um atropelamento fatal por bicicleta e um por lotação.

    O levantamento aponta que 78% das vítimas eram do sexo masculino e que 56% dos óbitos ocorreram no local do sinistro. A idade média das vítimas foi de 47 anos, enquanto entre os motociclistas mortos a média foi de 31 anos. Os idosos somaram 19 vítimas fatais, 28% do total, e 73% deles eram pedestres.

    Distribuição geográfica e fatores de risco no trânsito

    Quanto à distribuição geográfica, a região Leste concentrou o maior número de sinistros com morte, com 24 registros. Em seguida, aparecem as regiões Sul, com 19, Norte, com 13, e Centro, com dez ocorrências. A avenida Protásio Alves foi a via com mais sinistros fatais no período, com seis registros. Depois vêm a avenida Bento Gonçalves, com quatro, e as avenidas Farrapos, João Pessoa e João de Oliveira Remião, com três casos cada.

    A análise parcial dos fatores de risco feita pelo Programa Vida no Trânsito (PVT) já cobre 77% dos sinistros. Segundo o PVT, a velocidade excessiva ou inadequada foi o principal fator de risco identificado nos sinistros fatais de 2026. Em seguida aparecem o desrespeito ao sinal de parada obrigatória ou ao semáforo, a condução sem CNH ou com CNH irregular, e os comportamentos imprudentes.

    Até o momento, também foi confirmada a presença de álcool ou drogas ilícitas em seis sinistros de trânsito, representando 9% dos casos.

    Esses dados reforçam a importância das ações integradas de fiscalização, engenharia e educação para a redução das mortes no trânsito em Porto Alegre.

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