Brasil tem grande potencial para avançar no transporte metroferroviário

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Transporte Metroferroviário
James Bellini, CEO da Marcopolo, e Petras Amaral, business head da Marcopolo Next, na frente do VLT Prosper (Foto: Júlio Soares/Foto Objetiva)
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Focada na mobilidade sustentável e em oferecer opções mais eficientes e multimodais, a Marcopolo Next criou, em 2019, a divisão Marcopolo Rail. Em dezembro do ano passado, a divisão apresentou ao mercado o seu primeiro veículo, o VLT Prosper, para alavancar, disseminar o transporte metroferroviário e que será utilizado em uma rota turística no Sul do País, operada pela Giordani Turismo.

De acordo com Petras Amaral, business head da Marcopolo Next e executivo responsável pela Marcopolo Rail, o futuro da mobilidade é multimodal e os trens se alinham às tendências mundiais de mobilidade relacionadas à conexão e ao compartilhamento.

Neste sentido, o sistema metroferroviário brasileiro precisa ser repensado para atender adequadamente à crescente demanda da população. Apenas 13 regiões metropolitanas no País, de um total de 63 de médio e grande porte, contam com malhas metroferroviárias.

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E, apesar de transportarem mais de 11 milhões de passageiros por dia, ainda assim, apresentam capacidade abaixo da demanda, aponta estudo Setor Metroferroviário Brasileiro, da ANPTrilhos.

“Trens atendem a várias necessidades no que se refere à capacidade, distância e velocidade. Eles também se alinham às tendências mundiais de mobilidade relacionadas à conexão e ao compartilhamento, uma vez que são complementares aos outros modais como bicicletas, motocicletas, carros, ônibus e aviões. Neste último, temos como ótimos exemplos os people movers que circulam em aeroportos de diversos países e que, em breve, teremos no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em Guarulhos”, comenta o executivo.

Na visão de Petras Amaral, os veículos sob trilhos apresentam uma capacidade bem maior por área ocupada que outros meios de transporte e vão ao encontro de outra tendência da mobilidade global: a eletrificação, que contribui para que o sistema seja ambientalmente amigável.

“O setor metroferroviário apresenta grande potencial de crescimento no Brasil, tanto para os segmentos urbanos e intercidades quanto para o turístico – apesar de estarmos longe dos países em que esse modal já atua integrado ao deslocamento diário de passageiros há décadas ou mesmo séculos”, analisa.

Na Europa e na América do Norte o transporte metroferroviário é largamente utilizado literalmente há séculos. O metrô de Londres começou a operar em 1863 e atualmente cobre 402 quilômetros, conta com 207 estações e faz 5 milhões de viagens por dia.

Em toda Europa há trens regionais ligando cidades pequenas e médias, inclusive de alta velocidade. Nos últimos anos, a implantação desses modelos de alta velocidade tem avançado fortemente também na China.

Além de impulsionar a própria mobilidade, melhorando substancialmente os grandes fluxos de pessoas nas áreas urbanas, as soluções metroferroviárias favorecem atividades econômicas em geral e, em especial, o turismo.

No setor turístico, o trem, em si, já é uma atração, como o VLT Prosper, e representa uma solução viável, pois aproveitam as vias já existentes, em especial avenidas, estradas e rodovias que tiveram seu entorno ocupado e urbanizado ao longo do tempo e que, portanto, já guardam características troncais.

O VLT do Rio de Janeiro é um excelente exemplo. Implantado com foco no fluxo de turistas durante os últimos Jogos Olímpicos, transporta atualmente cerca de 80 mil passageiros por dia.

Segundo Petras Amaral, as ferrovias, em geral, requerem infraestrutura de alto custo, investimentos de longo prazo e comprometimento dos Poderes Públicos. “Mas as experiências mundiais comprovam a viabilidade do retorno, compensada também pela longa duração dos materiais rodantes e dos benefícios nos deslocamentos das populações, proporcionando a redução de custos e tarifas no transporte público”.

O Brasil dispõe de capacidade industrial instalada, expertise e tecnologia para avançar no transporte sobre trilhos, e, aos poucos, surgem projetos em diversas cidades, impulsionados por parcerias público-privadas.

Esse potencial poderá ser explorado também no desenvolvimento e implantação deste setor também nos países vizinhos da América Latina, produzindo veículos com preços competitivos e qualidade equivalente aos demais concorrentes internacionais.

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