EPTC divulga balanço parcial dos sinistros de trânsito com morte em 2025 em Porto Alegre

A Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) divulgou o balanço parcial dos sinistros de trânsito com morte registrados em Porto Alegre durante o ano de 2025. O levantamento, baseado nas análises do Programa Vida no Trânsito (PVT), destaca que comportamentos de risco, como avanço de sinal vermelho, excesso de velocidade e condução sem habilitação regular, continuam entre os principais fatores associados aos sinistros de trânsito fatais na capital gaúcha.

Balanço dos sinistros de trânsito com morte em Porto Alegre

Entre janeiro e dezembro de 2025, Porto Alegre registrou 83 sinistros de trânsito com morte nas vias urbanas, resultando em 84 vítimas fatais, número igual ao do ano anterior. O perfil das vítimas indica que condutores representam 64% das mortes (54 óbitos), seguidos por pedestres com 29% (24 mortes) e ocupantes de veículos (caronas) com 7% (seis mortes).

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  • O levantamento evidencia o impacto significativo das motocicletas nos sinistros de trânsito fatais, com participação em 45 vidas perdidas, correspondendo a 53% dos casos. Do total de óbitos, 38 eram motociclistas, representando 45% das mortes e 70% do total de condutores mortos. Além disso, motocicletas estiveram envolvidas em outras sete mortes, incluindo o atropelamento de seis pedestres e a morte de um ocupante.

    Fatores de risco nos sinistros de trânsito fatais

    A análise dos sinistros de trânsito fatais já investigados em 2025 aponta que o desrespeito à sinalização viária, especialmente o avanço de sinal de pare ou semáforo, constitui o principal fator de risco. Outras condutas recorrentes incluem velocidade excessiva ou inadequada, condução sem Carteira Nacional de Habilitação (CNH) regular, alcoolemia e trânsito ou conversão em locais proibidos.

    Ao todo, 25% dos sinistros envolveram pelo menos um condutor sem habilitação regular. O uso do telefone celular ao dirigir, embora difícil de comprovar tecnicamente, aparece como um importante fator de risco, pois provoca distração visual, manual e cognitiva, reduzindo o tempo de reação e aumentando a probabilidade de erros.

    Indicadores relacionados à alcoolemia e uso de substâncias seguem em apuração, mas já permitem direcionar políticas públicas focadas na mudança de comportamento dos usuários das vias.

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    Perfil das vítimas e distribuição geográfica dos sinistros de trânsito

    A idade média das vítimas em geral é de 40 anos, enquanto entre os condutores de motocicleta mortos a média cai para 32 anos, indicando maior exposição ao risco entre adultos jovens. Entre os condutores mortos, nove eram ciclistas, seis motoristas de automóvel e um condutor de patinete.

    Dos 24 pedestres mortos, 42% foram atropelados por automóveis, 29% por ônibus, 25% por motocicletas e 4% por trator. Os dados reforçam a vulnerabilidade desses usuários e a necessidade de ações específicas de fiscalização, engenharia e educação para reduzir atropelamentos e colisões graves.

    Idosos corresponderam a 20% das vítimas fatais, com 17 vidas perdidas, sendo a maioria (76%) em decorrência de atropelamentos.

    A concentração dos sinistros com morte ocorreu principalmente nas regiões Sul (39%), Leste (27%) e Norte (24%) da cidade. Vias arteriais de grande fluxo, como as avenidas Bento Gonçalves (seis mortes), Cavalhada (quatro), Edgar Pires de Castro, Ipiranga, Juca Batista e Protásio Alves (três mortes cada), destacam-se como locais críticos. A avenida Edvaldo Pereira Paiva registrou um sinistro com duas mortes, envolvendo ciclistas na Área de Lazer.

    Medidas e desafios para reduzir os sinistros de trânsito

    Apesar do cenário preocupante, Porto Alegre conseguiu frear a curva de crescimento das vítimas fatais no trânsito nos últimos anos, demonstrando que as políticas públicas adotadas produzem resultados concretos. Atualmente, a cidade ocupa a segunda posição entre as capitais brasileiras com menor taxa de mortes no trânsito por 100 mil habitantes.

    O diretor-presidente da EPTC, Pedro Bisch Neto, destaca a importância de intensificar a integração entre tecnologia, fiscalização rigorosa e ações educativas para promover uma conduta mais prudente e responsável ao dirigir. A colaboração de todos os usuários das vias é fundamental para melhorar os números dos sinistros de trânsito.

    Entre os motociclistas mortos, 13 estavam vinculados à atividade de motofrete, sendo sete no momento do trabalho e seis fora dele. Outras 16 vítimas não eram motoboys, evidenciando que o problema está associado principalmente a comportamentos de risco no uso cotidiano da motocicleta como meio de transporte.

    Programa Vida no Trânsito e a importância da conscientização

    Desde 2012, Porto Alegre integra o Programa Vida no Trânsito, coordenado pelo Ministério da Saúde, que realiza análise sistemática de todos os sinistros fatais. O programa identifica fatores e condutas de risco para subsidiar ações de educação, planejamento urbano e fiscalização, visando à redução de mortes e preservação de vidas no trânsito.

    Os dados divulgados são parciais, considerando mortes ocorridas até 30 dias após o sinistro, conforme recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS). Assim, os indicadores podem ser revisados à medida que as informações se consolidam.

    Cada morte no trânsito representa uma perda irreparável e reforça a necessidade de mudança de comportamento. Promover a conscientização dos condutores sobre os riscos do desrespeito à sinalização, especialmente o avanço do sinal vermelho, constitui uma atitude de prudência, responsabilidade e compromisso com a preservação da vida, conclui Bisch Neto.

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